quinta-feira, janeiro 20, 2005

Lendo o Sermão da Primeira Sexta-Feira da Quaresma, do Padre Antonio Vieira encontrei a citação "Memento homo quia pulvis es".

"Lembra-te homem, que és pó"

A citação na obra do ano de 1651 fez-me refletir na futilidade de algumas coisas que consideramos indispensáveis em nossas vidas. Tanto há de importante que achamos que não podemos abandonar, deixar para trás ou simplesmente esquecer. Tantas coisas fazem falta, dizemos. Tantos desejos de posse e de realização tomam nossas horas, dias, anos. Tantas conquistas... Para quê se, no final, pó?

"Tu és e ao pó reverteres. Em verdade é só isso que queres" diz a letra da canção. Pó... ossos, carne, sonhos, conquistas.

Questiono: E o essencial? Ou melhor: O que 'é' o essencial? Seria o amor, a canção, a poesia, o perdão, a amizade? A definição diz que essencial é o que constitui o mais básico ou o mais importante em algo, o fundamental, o indispensável (do latim essentiális - 'relativo à natureza nuclear das coisas'). Se assim é, qual será verdadeira essência de nosso existir? Qual deve ser a busca?

"Em verdade é só isso que queres" e continua a canção, "Vem do sol o que queima e as cores. Amanhã o teu pó serão flores".

Considero que o essencial são as flores e não as dores, as cores e não os pudores, os amores e não os desamores, as lágrimas e não as lástimas, os olhares e não os soares, as caridades e não obscuridades, as bondades e não as maldades, as gentilezas e não as malvadezas, as sutilezas e não as clarezas, os companheirismos e não os egoísmos, as dedicações e também as lições, os perdões e não as topadas nos dedões.

E para terminar a canção e o post, dado que ambos 'pulvis' um dia serão:

"Quando sinto no pescoço um nó, vem o vento e me sopra, eu sou pó"
(Pó - Oswaldo Montenegro / Beto Brasiliense)
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