quinta-feira, fevereiro 21, 2008

Noite de Eclipse

Tecnicamente um evento - em partes - comum, até corriqueiro, previsível em calendários, sob cálculos frios, exatos, complicadíssimos.

Umbras, penumbras, cone de sombra, declinação, excentricidade, distância, projeções, gráficos senoidais. Uma infinidade de exatidões e precisões.

Porém, acima de toda a técnica está o coração. E a poesia da lua é a mais bela, não por majestade - portanto não impositiva -, mas por delicadeza - portanto por conquistar-nos.

Lua, companheira bailarina, delicada, dedicada. Misteriosa mostrando apenas uma face desde os mais antigos tempos. Enamorada do astro rei, interposto por nós que, embebidos dessa paixão, nos deleitamos em corações amorosos seguindo seu exemplo e escorrendo amores nos corações.

Lua antiga, lua boa, lua nova, lua... querida madre luna.

Sua luz lavanda, evanescendo o resplendor, transformando-se em rubro escarlate, sangue, passional. Resplandece novamente ao terminar o encontro com o rei dos céus, minha doce princesa bailarina.

Nos presenteia com o espetáculo do renascimento, do re-brilhar, do re-acender, da continuidade.
Ensina-nos com tal maravilha que a vida dá voltas, que os encontros com o amor são a constância do universo, que a luz de sua face, mesmo que refletida e não sendo própria, é sua (toda luz é própria quando vista na face). Dá ao nosso coração o alento do reinício, do renascer em luz. Oferece o aprendizado de que é necessário tornar-se rubro, sanguíneo, passional em muitos momento da vida. Mas deixa claro também que é estado passageiro, mesmo que constante, ciclico e - isso não nos impressiona mais - inevitavel.

Agradeço-lhe, bella luna, sua presença, sua existência, sua companhia, seu carinho.

Tantas e tantas pessoas estiveram sob sua luz. Toda a humanidade esteve debaixo do seu olhar. Sua face sempre voltada para nós, atenta, cuidadosa. Assististe o espetáculo de nossa chegada nesta Gaia, nosso crescimento, nossos aprendizados, nossas evoluções. Sua outra face observando o restante do universo, como uma mãe preocupada com sua filha ao colo e olhos atentos ao que há em volta, para protegê-la.

Obrigado pelas marés - ensinamento daquilo que vai e que volta.

Obrigado.

À você, que não importa-se com os números e as exatidões e que é indiferente aos senóides e fórmulas, por dedicar tanto carinho, resta olhar-lhe...

resta obervar-lhe...

resta admirar-lhe...

e...

resta cantar

A Lua
MPB4
Composição: Renato Rocha


A Lua
Quando ela roda
É Nova!
Crescente ou Meia
A Lua!
É Cheia!
E quando ela roda]
Minguante e Meia
Depois é Lua novamente
Diiiizz!...
Quando ela roda
É Nova!
Crescente ou Meia
A Lua!
É Cheia!
E quando ela roda
Minguante e Meia
Depois é Lua-Nova...
Mente quem diz
Que a Lua é velha...
Mente quem diz!
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