Tentei diversas vezes adicionar uma foto de Alvin Langdon Coburn (Broadway at Night, de 1909) Confesso. Acabei de conhecê-lo e me apaixonei.
Uma tarde excepcional...
Ontem recebi um telefonema: "Olá, liguei pra te dar feliz aniversário!" Ora, obrigado, mas meu aniversário é amanhã!". "Ora, não é dia dez?" "então... amanhã" "ah desculpe, achei que hoje era dia dez".
Contando assim nem tem graça. Acho que a situação que foi interessante. O riso nervoso.
Então veio o pensamento:
O tempo "kairológico" é mais valioso do que o cronológico.
Cronológico vem do grego Kronos (aquele que devorava os filhos). É a contagem do tempo do relógio, o tic-tac, aquele que passa e não volta mais. é o tempo mensurável, calculado, definido pelas convenções e padronizações como tantas vibrações do isótopo não-sei-quanto-de-não-sei-do-que. Resumindo, é o tempo sem-graça, que foge dos dedos, que mostra a marcação no cartão de ponto, da hora da peça começar, de acordar, da novela começar, do cozimento do ovo, e por aí vai.
Kairós, também grego, é o tempo que marca no coração. Seu compasso são as pulsações que tem o poder de mudança em cada situação. Tempo kairológico é o sentimento que dita, é a sensação, é a emoção. É o tempo gostoso que, mesmo acabando, perdura. É aquele tempo gostoso de final de festa em qeu ninguém vai embora porque não quer que ela acabe. É aquele tempo de despedida dos namorados que não se cansam daquele "ah, desliga você... não, você primeiro... ah não, você... *silêncio* você não desligou... então desliga você primeiro... ah. não, você...". É o tempo que todo mundo quer, que fica pra sempre e que queremos que volte.
Aquele parabéns na data cronológica errada foi o mais belo de todos, pois foi kairológico. Tanto foi que a ligação não foi retornada no dia seguinte - o correto - mas ficou pra sempre e assim ficará.
Talvez por isso eu tenha sempre o desejo de enviar cartões de natal no meio do ano, ou de dar algum presente sem data especial. Tudo kairológico. Tudo no tempo do coração, portanto sagrado.
Terminando este texto fico tranquilo por não ter conseguido incluir a foto incial. Ela era triste. depois dessas palavras estou um pouco menos Alvin Langdon Coburn.
Uma tarde excepcional...
Ontem recebi um telefonema: "Olá, liguei pra te dar feliz aniversário!" Ora, obrigado, mas meu aniversário é amanhã!". "Ora, não é dia dez?" "então... amanhã" "ah desculpe, achei que hoje era dia dez".
Contando assim nem tem graça. Acho que a situação que foi interessante. O riso nervoso.
Então veio o pensamento:
O tempo "kairológico" é mais valioso do que o cronológico.
Cronológico vem do grego Kronos (aquele que devorava os filhos). É a contagem do tempo do relógio, o tic-tac, aquele que passa e não volta mais. é o tempo mensurável, calculado, definido pelas convenções e padronizações como tantas vibrações do isótopo não-sei-quanto-de-não-sei-do-que. Resumindo, é o tempo sem-graça, que foge dos dedos, que mostra a marcação no cartão de ponto, da hora da peça começar, de acordar, da novela começar, do cozimento do ovo, e por aí vai.
Kairós, também grego, é o tempo que marca no coração. Seu compasso são as pulsações que tem o poder de mudança em cada situação. Tempo kairológico é o sentimento que dita, é a sensação, é a emoção. É o tempo gostoso que, mesmo acabando, perdura. É aquele tempo gostoso de final de festa em qeu ninguém vai embora porque não quer que ela acabe. É aquele tempo de despedida dos namorados que não se cansam daquele "ah, desliga você... não, você primeiro... ah não, você... *silêncio* você não desligou... então desliga você primeiro... ah. não, você...". É o tempo que todo mundo quer, que fica pra sempre e que queremos que volte.
Aquele parabéns na data cronológica errada foi o mais belo de todos, pois foi kairológico. Tanto foi que a ligação não foi retornada no dia seguinte - o correto - mas ficou pra sempre e assim ficará.
Talvez por isso eu tenha sempre o desejo de enviar cartões de natal no meio do ano, ou de dar algum presente sem data especial. Tudo kairológico. Tudo no tempo do coração, portanto sagrado.
Terminando este texto fico tranquilo por não ter conseguido incluir a foto incial. Ela era triste. depois dessas palavras estou um pouco menos Alvin Langdon Coburn.

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